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Sextra Free - 17/08/2018 - Compensa laquear o Saxofone?

Rogério:

Irmão tenho um sax tenor muito bom dourado com as chaves cromado, preciso reformar dar um banho de tinta. Os irmãos indica um Luthier que posso mandar o instrumento?


Giancarlo:

Não faça isso!
Não é recomendado dar banho no instrumento.

​

Raphael:

Não é recomendado restaurar o acabamento ??
Por pouco eu quase ia mandar laquear o meu


Leandro Luthier:

Meu irmão... tenho feito apenas polimento manual.. bom resultado alcançado

​

Raphael:

Disso confesso que não sabia
Mas essa é devido a qualidade de som do instrumento que perde ?

​

Leandro Luthier:

grande possibilidade de perda do timbre... o melhor banho é termostático (semelhante ao efetuado nas empresas) mas o custo é muito elevado..
alteração na afinação quando não efetuado de forma ideal (espessura)

​

Rogério:

Meus irmão Deus vos abençoe pela dica. Achava que poderia deixar meu sax novo de novo.

​

Leandro Luthier:

conforme ditado "nem tudo que reluz é ouro".

​

Ricardo Prado: 

Meus caros, a Paz de Deus. 

Permitam-me complementar e opinar, a respeito de "banhos".

Vamos ter como referência as  grandes marcas.

Existe uma grande engenharia e muitos estudos sobre a concepção de um instrumento.  Isto somado aos anos de pesquisas que foram feitas, os fabricantes sempre, em busca da excelência,  desenvolvem tecnologias que, muitas vezes, não é possível replicar fora do ambiente da gênese dos instrumento.

Tudo é pensado, estudado e muito medido, desde as dimensões externas e internas, comprimento, curvas, abertura das chaves, até a liga dos metais e insumos são estudadas a nível molecular, para que o som tenha a máxima perfeição desejada.

Quando se faz banhos, escavações,  pinturas fora do ambiente original, todas essas propriedade alcançadas pelos fabricantes podem ser alteradas. Exemplo: antes de qualquer banho é necessário um polimento que é bastante agressivo ao metal, de tal forma que a lata será reduzida consideravelmente em sua espessura. Imaginem os danos que isto pode causar à estrutura do instrumento.

Um instrumento escovado é o sonho de muitos, por ter uma aparência diferenciada e exótica. Mas, o processo de escovação é extremamente agressivo. A lata é submetida a escovas muito abrasivas que, durante o processo,  retiram uma parte significativa da lata, deixando o instrumento mais fragilizado mais propenso a amassos e solta das soldas. E depois de tudo isto, é feito uma laqueação com vernizes que podem criar uma camada muito espessa. Tudo isto altera muito a estrutura original e estudada exaustivamente, pelos fabricantes. Além do que, o valor comercial despenca.

Há, infelizmente, no nosso meio uma preocupação demasiada com a aparência dos instrumento e um descaso com a sua funcionalidade, acredito que por desconhecimento mesmo. É muito comum de se ver muitos instrumentos reluzindo como ouro (dito acima) que, muitas vezes, tem a afinação e a sonoridade toda comprometida por trabalhos feitos desta forma.

Sei que é difícil ter um carro com pintura impecável e um instrumento meio "feio é, muitas vezes, contra-senso para alguns. Mas a verdade é que, com instrumentos, a realidade é outra. Um instrumento tem que ser o mecanismo perfeito, sapatilhas, calços,  cortiças, molas de excelente qualidade, ajustes perfeitos e um setup adequado. A aparência é o que menos importa. Em suma, temos por hábito exigir muito da aparência e pouco, ou quase nada, da funcionalidade dos instrumentos. Temos que começar a mudar esta cultura e podemos começar aqui, pois somos multiplicadores. 

Me perdoem por ter sido muito extenso, mas penso que esta oportunidade e este canal são muito importantes para disseminarmos boas práticas. 

Deus abençoe a todos.

​

Giancarlo: 

Que aula!

Eu, como músicos, sei que não é recomendado, porém não tinha consciência de tanto detalhe assim. 

Infelizmente nossa cultura ccbina prezado pela aparência e deixa em segundo plano a funcionalidade 

Mas de luz em luz chegamos lá.

Deus te abençoe, caríssimo irmão Ricardo!

 

Evandro M. Soares:

Perfeito. Aparência sem sonoridade, afinação e conforto não teria muita utilidade.

​

Ricardo Prado: 

Só um complemento: este quesito não compreende a higiene do instrumento. 

Temos que lavar sempre a boquinha com água e detergente neutro, secar sempre a palheta após o uso,  tirar as manchas dos dedos com uma flanela, passar um pincel macio para tirar a poeira onde a mão não alcança (não usar cotonetes ou algo com algodão na ponta,  para não correr o risco de deslocar alguma mola).

Jamais abra mão da higiene do instrumento.

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Leandro Anatólio Novaes:

Queridos irmãos, sobre o assunto do "banho" no instrumento, eu tenho um sax tenor chinês da Eastman, que  comprei para ajudar na minha comum que tem muitos sax alto. Como esse sax era usado, a pintura dele estava bem feia, mas a parte mecânica estava ótima. Porém, com o passar do tempo, as sapatilhas já estavam comprometidas e o instrumento com vazamentos e ruídos. Foi aí que eu decidi sapatilhar e aproveitei para pintar o instrumento, escovando ele e niquelando as chaves. Quando peguei o instrumento de volta senti que o timbre havia mudado e nunca mais consegui tocar com o timbre anterior. Achei que fosse também por causa da "conversão ao estilo erudito" mas não foi, as respostas não eram as mesmas. Portanto falo de experiência própria. NÃO DEEM BANHO em seus instrumentos. Além do que o nosso caro irmão Ricardo explicou, eu sou um exemplo claro de que não dá certo. Agora estou tocando com ele até quando DEUS quiser. Bom fim de semana a todos.


Gabriel:

Eastman... Foi meu primeiro sax...pensa num chinesinho top... tenho saudades dele.

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Leandro Anatólio Novaes:

Irmão Gabriel, era muito bom, mas com a alteração devido à pintura, não responde com a mesma qualidade.  Ao menos não comprometeu a afinação, mas está mais pesado pra tocar, infelizmente.

​

Gabriel:

Entendi...
Uma dúvida. Irmãos Ricardo Prado e Leandro que comentaram a respeito...
O que os irmãos falam em relação ao desplacamento após esse banho ter feito mal ao rendimento do instrumento?
Pode ajudar a resolver?
Ou acaba piorando?

​

Ricardo Prado: 

Irmão Gabriel, pode ser que mude sim, o verniz não original tende a não responder como o original. Porém, como o instrumento foi escovado, este processo é bastante agressivo e pode ter causado uma alteração longe da original.
Se o desplaque for realmente necessário ou o desejo do dono, tem que ser feito com produtos químicos, sem abrasão nenhuma. Desta forma, retirando o "peso" do verniz, pode ser que o som mude sim.

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